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Biguaçu tenta captar novos investimentos após transferência do projeto do Estaleiro OSX

sexta-feira, novembro 19th, 2010 by

Cidade quer ser referência no setor náutico

Alessandra Ogeda | alessandra.ogeda@diario.com.br

Biguaçu, na Grande Florianópolis, perdeu o estaleiro da OSX para o Rio de Janeiro, mas continua apostando no setor náutico. Na busca por tornar o município uma referência no segmento, a cidade trabalha em três frentes: contribuindo para o plano de gerenciamento costeiro estadual, em projetos de formação técnica e de macrodrenagem do Rio Biguaçu.

Mas, além disso, é preciso enfrentar a insegurança jurídica que afasta investimentos da cidade. Não só megaprojetos como o da OSX. A catarinense Schaefer Yachts quer ampliar seus negócios no município, mas não consegue. Na terça-feira, completou três anos o embargo da construção de uma nova fábrica.

O terreno, às margens do Rio Biguaçu, foi embargado pelo Ibama mesmo tendo uma licença ambiental da Fundação do Meio Ambiente (Fatma). O empresário Márcio Schaefer tentou um acordo com o Ibama por um ano, depois entrou na Justiça e espera, até o final de 2010, uma resolução para o problema.

— Estamos procurando uma alternativa. Eu não gostaria de sair da Grande Florianópolis, porque nasci e cresci aqui — desabafa Schaefer.

O secretário de Desenvolvimento Econômico e Inovação Tecnológica de Biguaçu, João Braz da Silva, comenta que existem empresas de fora do Estado interessadas em se instalar na cidade. Uma delas busca espaço para a construção de estaleiros.

— As negociações estão em fase embrionária, mas o investimento previsto demonstra o potencial que o setor náutico tem na cidade — avalia.

Ele destaca que o município tem mais de seis estaleiros instalados, mas reconhece que é preciso mais organização. Para alterar este quadro, a cidade prevê a revisão do plano diretor para ampliar as áreas industriais.

O gerente de Desenvolvimento Econômico Sustentável da Secretaria de Desenvolvimento Regional da Grande Florianópolis, Alessandro Garbelotto, lembra que está sendo discutido em cada município da região, incluindo Biguaçu, o Plano Estadual de Gerenciamento Costeiro, que prevê áreas adequadas para empreendimentos e atividades que dependem da relação com rios e o mar.

A prefeitura de Biguaçu contribuiu com este debate apresentando locais de interesse náutico para o município, como toda a área navegável do rio que atravessa a cidade. Para Garbelotto, uma legislação mais clara sobre este tema impediria problemas como o vivido pela Schaefer Yachts.

Para o presidente da Fatma, Murilo Flores, a aprovação do Plano Estadual de Gerenciamento Costeiro é “vital” para o desenvolvimento do Estado.

— A criação deste patamar vai tirar da licença ambiental uma competência de juízo de valor que não é dela.

A cidade tem ainda um projeto para macrodrenagem no Rio Biguaçu, com abertura do canal. O processo teria recebido um pronunciamento favorável do Ibama, segundo Silva, mas depende de concessão da Secretaria do Patrimônio da União (SPU).

Márcio Schaefer, da Schaefer Yachts, tem um terreno na cidade, às margens do rio, embargado há três anos – Daniel Conzi

Fonte: ClicRBS

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