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Um conto

segunda-feira, abril 25th, 2011 by

Procurando uma leitura leve para o feriado, achei na estante, o ótimo livro do LFV, “Comédias para se ler na escola”.

Como sempre, dei muitas risadas ao reler os contos onde o autor brinca com as palavras e com o quotidiano.

Separei o texto abaixo, porque acho que todos que convivem com o meio náutico já viram alguém assim…

O JARGÃO – Luis Fernando Veríssimo

“Sou fascinado pela linguagem náutica, embora minha experiência no mar se resuma a algumas passagens em transatlânticos, onde a única linguagem técnica que você precisa saber é “a que horas servem o bufê?”. Nunca pisei num veleiro e se pisasse seria para dar vexame na primeira onda. Eu enjôo em escada rolante. Mas, na minha imaginação, sou um marinheiro de todos os calados. Senhor de ventos e de velas e, principalmente, dos especialíssimos nomes da equipagem.

Me imagino no leme do meu grande veleiro, dando ordens à tripulação:

– Recolher a traquineta!

– Largar a vela bimbão, não podemos perder esse Vizeu.

(O Vizeu é um vento que nasce na costa ocidental da África, faz a volta nas Malvinas e nos ataca a bombordo, cheirando a especiarias, carcaças de baleia e, estranhamente, a uma professora que eu tive, no primário.)

– Quebrar o lume da alcatra e baixar a falcatrua!

– Cuidado com a sanfona de Abelardo!

(A sanfona de Abelardo é um perigoso fenômeno que ocorre na vela parruda em certas condições atmosféricas e que, se não for contido a tempo, pode decapitar o piloto. Até hoje não encontraram a cabeça do comodoro Aberlado.)

– Cruzar a spínola! Domar a espátula! Montar a sirigaita! Tudo a macambúzio e dois quartos de trela, senão afundamos e o capitão é o primeiro a pular!

– Cortar o cabo de Eustáquio!”

One Response to “Um conto”

  1. Si disse:

    SENSACIONAL!
    Extremamente inteligente e de bom gosto!
    Parabéns pela idéia e matéria!
    Esse blog cativa pela qualidade!
    Um grande abraço,
    SI